P o e t a E s c r i t o r J. B A T I S T A
quinta-feira, 1 de outubro de 2026
quarta-feira, 5 de agosto de 2026
O Grande Plano
Hoje acordei decidido:
vou mudar a minha vida.
Levantei cedo,
fiz café,
abri a janela,
olhei o céu...
Achei melhor começar amanhã.
Enquanto isso,
conversei com o relógio.
Ele corria.
Eu caminhava.
No fim do dia,
chegamos juntos:
ele cansado de tanta pressa,
eu cansado de não fazer nada.
Conclusão:
a preguiça não vence o tempo...
mas faz a viagem parecer
bem mais confortável.
Mário Quintana
quinta-feira, 9 de julho de 2026
O POETA
O poeta está presente
Quando descreve o sol poente.
Muitas vezes ao sol poente
O poeta não está presente.
O poeta mente
Ao escrever aquilo que sente.
Muitas vezes o poeta sente
Ao escrever aquilo que mente.
O poeta é como a gente.
De vez em quando, friamente,
Se irrita, certamente,
Escrevendo o que vem na mente.
O poeta, inicialmente
Vai à nascente
E constantemente
Chega aos finalmente.
O poeta é gente
Que como todos, mente
Escreve o que sente
Quando não está presente.
J.Batista
quinta-feira, 18 de junho de 2026
SER PEIXE
Sou um peixe
Que vive no mar
Não sei minha idade
Estou a nadar
Esta água é uma delícia
Aqui não tem poluição
Nem existe malícia
Somos todos irmãos
Junto moramos
Sem brigar
Não existe maldade
No fundo do mar
Nossas plantas são bonitas
Estão sempre a crescer
Ninguém as prejudicam
Jamais vão morrer
É assim o meu mundo
Onde tudo é beleza
É aqui bem no fundo
Esta natureza
Estou a nadar
E continuo sonhando
Volto a realidade
Pois estão me pescando.
J.Batista
quarta-feira, 17 de junho de 2026
Tenho toda a noite
Para sentir
E conseguir
Falar com o meu "eu".
A noite toda tenho
Você ao meu lado
Se não presente,
Em minha mente.
Tenho a noite toda
Para te abraçar
E contigo reviver
Momentos de amor.
Tenho toda a noite
Para olhar o céu,
A chuva de estrelas
Que cai sob a lua.
Toda noite tenho
Para dormir
E sonhar
Com aquilo que eu quiser.
J.Batista
Paie uma imagem para este texto do poeta J.Batista
Para falar a verdade
Para falar a verdade,
escuto a voz pública,
com suas grandes asas,
numerosas bocas e ouvidos,
e olhos camuflados,
espalhando a todos os lugares
tanto a mentira quanto a verdade,
e a poesia resiste
e insiste o poeta
que a mentira é uma verdade,
que se esqueceu de acontecer.
O que hei de fazer com meus versos?
Não sei mentir,
mas para falar a verdade,
concordo com o poeta quando diz,
nada mais me irrita tanto
quanto um verso de pé quebrado,
é como o trote forçado de um cavalo manco.
Bernardete Pierina Zardo
sexta-feira, 29 de maio de 2026
Eliane Bernardi
Envelheci à francesa: sem alarde, sem ruptura,
apenas deixando o tempo assentar.
O corpo se aproveitou da minha distração.
Não sei quando foi que decidiu envelhecer,
porque fez isso de forma silenciosa, quase elegante.
Um dia eu era movimento, urgência, promessa.
No outro, continuidade.
Não houve um aviso claro, nem um momento exato.
O corpo foi mudando enquanto a mente seguia intacta,
cheia de planos, curiosidades e vontades.
As mãos ganharam histórias, o rosto aprendeu novos mapas,
e o espelho passou a refletir alguém que não chegou de repente,
mas foi se tornando.
O envelhecimento não bateu à porta;
entrou enquanto eu estava ocupada vivendo.
Há algo de delicado nisso. O corpo não traiu,
apenas acompanhou o tempo.
Ele desacelerou onde antes corria,
pediu cuidado onde antes exigia força. Não perdeu dignidade,
ganhou linguagem. Cada mudança passou a comunicar experiência,
não declínio.
Envelhecer à francesa é aceitar que o tempo não precisa ser combatido,
apenas compreendido.
É permitir que o corpo mude sem que a essência se perca.
A mente continua curiosa, o olhar atento, o coração disponível.
O corpo envelhece, sim, mas o faz com uma elegância silenciosa,
como quem sabe que viver é transformar-se sem pedir licença.
(D A.)

