Poema no 52ª Festival internacional do folclore de Nova Petrópolis - RS
sexta-feira, 27 de junho de 2025
segunda-feira, 23 de junho de 2025
Pensem nas meninas
Cegas inexatas
Pensem nas mulheres
Rotas alteradas
Pensem nas feridas
Como rosas cálidas
Mas, oh, não se esqueçam
Da rosa da rosa
Da rosa de Hiroshima
A rosa hereditária
A rosa radioativa
A rosa com cirrose
A anti-rosa atômica
Sem cor sem perfume
Sem rosa, sem nada.
quarta-feira, 18 de junho de 2025
ENTRE SILÊNCIOS
No pátio velho o pai caminha lento
seu passo raso desenha a lembrança,
do tempo moço resta o sentimento
mas hoje é o filho quem leva a esperança.
Pisaram juntos sonhos tão diversos
em estradas que o tempo desenhou,
o pai traz versos gastos quase inversos
ao som da nova rima que chegou.
A mão que já guiou arado e destino
hoje treme a cuia ao tentar erguer,
mas tem no gesto antigo e cristalino
na força a saudade do bem-quer.
De outrora, o pai foi verbo e direção
com olhos cheios de mapas e certeza,
hoje sesteia à sombra do galpão
junto ao seu filho ouvindo a natureza.
Não há lição mais funda que esse instante
em que o silêncio pesa como chão,
o pai que já foi um grande gigante
agora é sombra leve na amplidão.
Seguem olhando ao longe, e vão calados
costurando o tempo em passos diferentes,
um leva os dias lentos e curvados
o outro aprende com silêncios ausentes.
ALBERTO SALES
sexta-feira, 6 de junho de 2025
quinta-feira, 5 de junho de 2025
No Meio do Caminho
No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.
CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE
