Amar,
é gostar
de caminhar junto
lado a lado
num mundo
que caminha separado
amar
é somar
todos os gostares
húmos e humores
e sêmen e sangue
e suor e lágrimas
na alegria
e na tristeza,
por toda vida
litros derramados
de ondas mágicas,
amar,
é nunca deixar-se moldar
para caber
no corpo do outro
o amor que não liberta
é cativeiro,
é um viveiro
de pássaros
que não cantam
e morrem
com uma flor na garganta,
corpo esfolado
por dentro e por fora
só importa à pesquisa
o que une
um homem e uma mulher
é o amor à vida, amar,
caminho
de tantas idas e voltas
quando diante do despenhadeiro
minha mão não solta
quando diante do infinito
contempla
minha asa abatida
sabendo
que os sonhos
não voltam
e mesmo seguindo
o próprio declive
com ele
estou subindo,
ah! O amor é lindo
o amor dói
é como o patinho feio
um dia
vira cisne
é qual um copo de leite
num peito empedrado
sorvendo aos goles
a fome
que nunca ‘acaba
como’ explicar
às palavras perdidas
num corpo morto
o alinhamento
de mulheres coloridas
pelo sangue.
quem vai contar
suas histórias?
peço a Deus que volte
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