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sexta-feira, 20 de março de 2026

 Amar, 

é gostar

de caminhar junto

lado a lado

num mundo

que caminha separado

amar

é somar

todos os gostares

húmos e humores

e sêmen e sangue

e suor e lágrimas

na alegria

e na tristeza,

por toda vida

litros derramados

de ondas mágicas,

amar,

é nunca deixar-se moldar

para caber

no corpo do outro

o amor que não liberta

é cativeiro,

é um viveiro

de pássaros

que não cantam

e morrem

com uma flor na garganta,

corpo esfolado

por dentro e por fora

só importa à pesquisa

o que une

um homem e uma mulher

é o amor à vida, amar,

caminho

de tantas idas e voltas

quando diante do despenhadeiro 

minha mão não solta

quando diante do infinito

contempla

minha asa abatida

sabendo

que os sonhos

não voltam

e mesmo seguindo

o próprio declive

com ele

estou subindo,

ah! O amor é lindo

o amor dói

é como o patinho feio

um dia 

vira cisne

é qual um copo de leite

num peito empedrado

sorvendo aos goles

a fome

que nunca ‘acaba

como’ explicar

às palavras perdidas

num corpo morto

o alinhamento

de mulheres coloridas

pelo sangue.

quem vai contar

suas histórias?

peço a Deus que volte



Berna.poeta@gmail.com 

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